pensamentos M$/Y!

Carefully crafted in 02 Feb 2008

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Um resumo mental, para a posteridade, sobre a maluqueira dos últimos dias.

  1. A compra vai acontecer. Não há forma nenhuma de não acontecer. A opinião do Jerry Yang e do board do Y! pouco interessa nesta fase, é só proforma. Mesmo que apareça um novo bidder, dificilmente conseguira fazer melhor do que isto “our proposal is not subject to any financing condition.”. A M$ está clara e objectivamente a dizer “Em que nome é que querem que passe este cheque? Ou preferem em camiões cheios de notas?”. Estas imagens dizem tudo. Um saldo muito negativo para o Jerry Yang que desde Junho do ano passado, altura em que foi nomeado CEO, não conseguiu implementar medidas drásticas e de fundo para inverter a tendência e convencer os accionistas e o mercado de publicidade de que a empresa que ajudou a fundar tinha um rumo e um futuro credível.

  2. Os unique visitors, pageviews e/ou audiência são de uma importância infinitamente menor face ao domínio e o reach do mercado do “Search”. Deixem-se de romantismo, isto é tudo sobre quem fica com a maior fatia do mercado de publicidade online. E o valor da publicidade do mercado de “Search” é 4-6 maior do que em qualquer outra plataforma, incluindo as grandes desilusões do Social Networking, Mail, Vídeo ou outras. A Hitwise tem um bom resumo sobre os shares dos 3 grandes. E já agora coloque-se esta compra em perspectiva. A Ycrosoft! vai ficar, no Search, com cerca de 30% do mercado face aos mais de 60% que o Google tem. Recordo ainda, para cimentar este ponto, que a Microsoft está a tentar comprar a maior empresa de tecnologia e soluções de enterprise search do mundo, a “Fast Search”. (*)

  3. O Google só tem a ganhar com esta compra, pelo menos nos próximos 1-2 anos, porque vão estar muito mais focados e firmes na sua estratégia – e o mercado é sensível a isto. Durante este tempo vamos assistir a duas empresas gigantes, com duas culturas completamente distintas, a fazerem ajustes de modelos de gestão, de recursos humanos e de posicionamento, imagem e identidade. As duas empresas colidem frontalmente num número alto e assustador de áreas de negócio que têm em comum, vão ser necessárias alterações profundas. O Fred fala um pouco sobre isto. Isto não é como a compra do Youtube, em que para todos os efeitos a equipa saiu de uma garagem para lhes ofereceram um mega edifício, comida à borla e massagens, para continuarem na sua, a fazerem o que gostam, stress-free, e a continuarem a queimar quantidades pornográficas de dinheiro já agora. O Yahoo! não é um complemento, é um reforço significativo em tudo o que é crítico para a Microsoft continuar no jogo.

  4. A dança das estrelas. Um “merge” deste tamanho também pode ser interessante para as novas oportunidades. Antevejo que dos excedentes desta fusão possam emergir novas startups, algumas disruptivas, e novas ideias para nos deliciarmos, daquelas que mudam os paradigmas, os Black Swans da Internet (esta é para ti JP). A Internet como plataforma ainda tem muito para dar, muito. E a guerra da caça do talento e dos mega-engenheiros também sair daqui revitalizada.

  5. Especulação. Ficaremos por aqui? Hoje saiu um artigo provocativo no BloggingStocks sobre um cenário hipotético do Google se fazer ao piso e comprarem eles agora a AOL (e outro aqui). Segundo as contas do Peter Cohan só lhes custaria $39.6b, ou 24% do Market Cap do Google (embora entre Market Cap e dinheiro no banco vá uma grande diferença). Curiosamente as acções da Time Warner estão em ligeira alta e a AOL foi invulgarmente mencionada pelo Sergey Brin na conferência de apresentação dos resultados do Google do Q4/2007.

Tempos interessantes estes.

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