Proposta de Lei 118. Notas avulsas #4

Carefully crafted in 20 Jan 2012

Andei a matutar nas receitas que a PL118 conseguiria gerar nos moldes em que está a ser proposta.

Decidi arregaçar as mangas e fazer umas contas de merceeiro com os dados que consegui arranjar.

Para não correr muitos riscos decidi ser extremamente conservador. Estas são as premissas que usei:

  • Fiz duas análises, uma para 2012 e outra para 2014. O objetivo era provar que os cálculos propostos são absurdos e desproporcionais em relação à evolução da realidade.
  • Estou a assumir que o mercado vai estar estagnado até 2014 e a venda de PCs, discos rígidos e telemóveis não vai aumentar.
  • Não encontrei forecasts fiáveis sobre a venda de consolas de jogos, MP3 players (ie: iPods) e outros aparelhos que incluem memórias (ie: iPads), e portanto ignorei por completo estas receitas, devem ser uma fatia grande.
  • Não inclui todos os dispositivos e suportes, nomeadamente as impressoras, os CDs e os DVDs. os analógicos.
  • Assumo que a penetração de telemóveis com uma memória de armazenamento vai passar de 50% para 80%.
  • Assumo, conservadoramente, que o tamanho médio de um disco rígido externo, interno ou incluído num computador novo é de 600GB este ano (dados fiáveis) e que será de 2T em 2014 (A lei de moore adaptada aos HDDs diz que será mais).

A folha de cálculo pode ser vista aqui, para que não sobrem dúvidas.

Os primeiros resultados são esclarecedores, esta lei gera receitas imediatas da ordem dos 105 54 milhões de Euros no primeiro ano e, sem crescimento do mercado, quase 400 200 milhões de Euros dois anos depois.

NewImage

Nada mau. O relatório e contas da SPA de 2010 mostra que nesse ano a SPA angariou receitas de 1.1 (um ponto um) milhões de Euros com a cópia privada.

Deixo as interpretações para a audiência.

PS: Este post pode sofrer actualizações à medida que eu arranjar mais dados, mas terei o cuidado de as documentar, se acontecerem.

UPDATE1: Já encontrei um erro de interpretação meu no número de PCs vendidos em Portugal (obrigado Pedro Alves) que muda substancialmente estas contas. Encontrei também informação sobre muitos outros aparelhos que faltavam acrescentar. Amanhã melhoro a folha de cálculo. Se tiverem mais fontes (fiáveis, por favor) coloquem-nas nos comentários.

UPDATE2: Já corrigi os números. As receitas desceram para metade devido ao erro de interpretação que fiz na venda dos PCs. Ainda assim faltam-me alguns dados, nomeadamente os do mercado empresarial que não está isento e reitero que os índices que uso me parecem conservadores. No entanto em termos de conclusões finais, mantêm-se as principais mensagens: 1. As receitas provenientes da cópia privada aumentam desmesuradamente e têm um forte impacto na economia e nos custos finais para o consumidor 2. O crescimento das receitas ao longo dos anos por causa do aumento da capacidade dos discos rígidos é totalmente absurdo e o critério proposto é um gigantesco erro técnico.

Comments

comments powered by Disqus